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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Cartinha


Oi. Tudo bem? Então, faz tempo que te chamo e insisto para colarmos o papo em dia, mas você se recusa, então não me restam opções a não ser escrever e falar tudo por aqui mesmo. Afinal, pra que eu insistiria mais em algo que nunca daria certo mesmo? Que fique claro que não foi por falta de aviso, que não foi por falta de vontade minha. Que fique claro que eu tentei na medida do possivel, e que voce se recusou terminantemente a atender ao meu pedido que talvez, quissá, poderia ter mudado alguma coisa no meio do caminho.

Eu vou me casar. Montei minha vida toda para que isso acontecesse com alguem que gosto muito, e que tambem gosta de mim. Para mim, casamento tem que ser eterno, então, caso algo dê errado no meio do caminho, espero que não seja por um erro meu. Eu poderia não me casar, mas acho que perdi o "timing" que poderia freiar esta minha decisão, agora não dá mais tempo. Foi uma decisão bem dificil, tendo em vista as duvidas e inseguranças que eu tinha, e tambem os tormentos que ja passei nesse relacionamento; tormentos estes que boa parte foram por causa de voce, sua exitencia.

De qualquer forma, não posso seguir em frente enquanto eu não lhe falar tudo. Direto e reto, sem rodeios. Preciso deixar tudo muito claro para assim seguir com o que escolhi pra mim, para eu me sentir bem comigo mesma. Eu sei bem, pode ser que não faça diferença alguma para voce, mas pra mim, só assim posso lavar a alma, com a certeza que não terei mais pendencias comigo mesma e meus pensamentos.

Desde 2005, ultima vez que ficamos juntos, eu sempre penso em voce. Eu sempre quis ficar com voce, sempre gostei de voce, sempre senti sua falta, sempre quis ter algo mais com voce. Geralmente, este tipo de coisa passa, esse tipo de sentimento morre depois de um tempo. Não foi assim que aconteceu comigo. Lembro de algumas pessoas que passaram em minha vida há muito tempo com certo saudosismo, mas não sinto falta alguma destas pessoas. Em compensação, com voce, a história é diferente. Quem foi que disse que eu esqueceria voce um dia?

Entre 2008 e 2010, eu tentei de tudo pra te encontrar. Eu precisava ver voce, tanto fiz, que ao menos te ver eu consegui. Marquei aquela entrevista arriscada aqui na minha empresa, mesmo sabendo que não ia dar em nada, só pra ver voce. Eu consegui, mas mesmo assim, não tive coragem e nem tempo pra dizer rapidamente o que eu sentia, só consegui te dizer o tanto que eu sentia a sua falta. Parece até que voce estremeceu um pouco, só um pouco. E ainda assim continuei insistindo e pedindo para nos vermos, e nada...

Naquela época, da ultima vez que te vi, tentei dizer que queria jogar tudo pro alto se voce aceitasse. Sempre fui acomodada o suficiente para não me arriscar, nem por voce. Eu nunca poderia lidar com a minha dor caso voce me rejeitasse diretamente. Por isso, desisti de correr atras de voce. Mesmo assim, acho que voce percebeu o que eu queria. E digo mais, acho que voce me ignorou somente para "dar o troco", devolver tudo o que fiz com voce. Azar o nosso; insistentemente eu dizia nas entrelinhas o que eu queria, e insistentemente, voce me ignorava.
 
Continua...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Borboletas



Quem nunca sentiu aquelas malditas borboletas voando sem destino dentro do estomago que me crucifique. Eu as sinto, sempre, em períodos inoportunos, em momentos que elas não deveriam nunca sobreviver aos meus sucos gástricos. Já tentei matá-las por diversas vezes, afogando-as em minha gastrite. Mas nem por um minuto as bichinhas deixaram de voar. É sempre assim, quanto mais tento matá-las afogadas, mais as borboletas voam, e mais dor e dor eu sinto, um soco na boca do estomago.

Malditas borboletas, quando penso que está tudo bem, la vem elas de volta encher meu estomago de incertezas e vontades subitas de resolver aquilo que já está solucionado e morto num baú velho, onde tudo deveria ficar esquecido. Malditas borboletas que acordam justamente quando eu paro e penso “bem, agora acabou, posso viver e esquecer que tudo aquilo já se passou. Posso seguir adiante que nada mais afetará meu futuro e meu modo de agir.”, e quando me dou conta, elas acordam enquanto eu durmo e reviram meu estomago, e bagunçam aquele baú velho que jaz esquecido, em estado de decomposição, volta a saltar meus olhos e dizer que ainda há coisas para organizar antes de trancá-lo e jogá-lo fora.

E assim as borboletas reavivam a vontade de tornar a vida como era antes, antes de fazer as escolhas erradas (ou certas, dependendo do ponto de vista), antes de machucar os outros pensando que esta seria a melhor opção para machucá-los menos em um curto prazo para uma longa convivência. Antes mesmo de me machucar mais em um curto prazo, sem saber o tormento que carregaria pelo resto da vida... E dormir com certezas de que tudo passou, hoje é um tormento que acorda as borboletas para mostrar-me que na verdade, as coisas ainda podem mudar. Acorda Amelie, esse seu coração vai ficar seco e duro e vai se quebrar inteiro se deixar a vida passar desse jeito.

Isto que acontece me remete ao mundo das drogas, dos vícios. Uma pessoa que consumia drogas há 10 anos atrás não deixou de ser viciada, deixou somente de consumir aquilo que aparentemente a fazia feliz, e hoje vive um dia após o outro pensando que aquilo lhe fazia mal, mas ainda assim, sente falta, sente vontade de experimentar de novo, de sentir as mesmas sensações daquela época. Porem ela sabe que isso pode destruir sua vida e acabar com tudo. É a mesma sensação que eu sinto, por uma pessoa que eu queria nunca ter encontrado na minha vida, para que hoje eu não sentisse como eu sinto.

As recaídas... Sempre tão cruéis, frias. E quando eu busco pela minha droga, fica a sensação de vazio, a sensação de ter feito a coisa errada ao procurar. E já faz tanto tempo isso, já era até pra ter deixado de existir vestígios, pois nada do que aconteceu, de fato, realmente aconteceu. Tudo não passou de um “se”, e como foi, ficou; e deveria já ter deixado de fazer importância. E eu me pergunto, quando de fato, tudo o que não aconteceu passará a deixar de ter importância? Talvez quando as borboletas morrerem enfim sufocadas, com suas asas corroídas de magoas e vontades, já sem aquele brilho que antes tinham, que tanto me encantavam os olhos em sonhos desesperados que buscavam por ele.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

De Viagem


Inferno. Há um bom tempo já não sonhava mais com voce, mas como nada que é bom de mais dura uma eternidade, tive uma recaida esta noite. Meu Deus, por que é tão dificil esquecer que um dia voce existiu?! Por que não pode ser como os outros, que passaram, foram, e quase nem deixaram lembranças? É dificil entender por que cargas d'água NÃO DÁ PRA ESQUECER VOCÊ. É dificil e dói, dói absurdamente agudo no coração, dói de deixar triste, e dói mais por eu ter que abafar essa dor, sem poder contar nada pra ninguem. O que sinto por você é inaceitável, impossivel de entender. É sentimento de mais pra ser recusado e jogado fora como você faz, talvez como eu fiz.

Se Deus não me atende para lhe esquecer, ao menos deve me atender para que lhe deixe bem, para que voce seja feliz... Quanta falta me faz saber de voce, saber se está tudo bem, o que tem feito, como tem passado. Só eu sei o vazio que sinto. A falta de contato amortece a carne, mas o coração ainda padece por não ter seu espírito em volta para preencher este vazio. Essa falta me deixa atordoada, desconcertada, desorientada, com um dissabor de viver imenso. Já não basta mais trabalhar 12h por dia, ocupar a mente com qualquer outro problema não funciona como antigamente. O que me resta? O que devo fazer? Devo tomar coragem? Definitivamente, não sei.

Sobre voce, o assunto é sempre o mesmo, a mesma monotonia. Nada muda, nem eu, nem voce. É sempre a mesma saudade, a mesma falta imensa que voce faz e que parece que tempo nenhum pode apagar. Afinal, passam-se os anos, passam-se 12 anos e eu permaneço procurando um motivo pra te procurar, como se tudo isso que eu sinto e desejo já não bastasse. Vai o tempo e os sonhos permanecem os mesmos, todos em situações diferentes. Será que se eu deixar os sonhos e procurar pelo objetivo real, eu deixarei de sonhar? É esta a solução para o fim de meu inferno? Eu tento, eu treino o desapego, mas não funciona. De forma alguma, minhas tentativas não trazem resultados.

Enquanto isso eu sonho com voce, eu sonho em ser sua opção. E eu queria mesmo ouvir isso de voce, "Eu quero, eu te quero". E enfim, depois de alguns meses sem sonhar com voce, discorro os detalhes: Comecei a reparar no sonho quando vi que era voce. Voce me ligou, dizendo que ia se mudar do país, sem previsão de retorno, nem pra férias, nem pra nada. Ia embora de mala e cúias. Fui ao seu encontro na sua casa e ali haviam alguns amigos seus, pessoas que eu nunca vi na vida. Todos estavam aguardando sua presença para se despedir. Eu, como de costume, fiquei na minha, tímida como sempre fui e aguardei junto, trocando poucas palavras. Voce apareceu, com malas e uma mochila nas costas, feliz por uma nova etapa na sua vida, cumprimentou a todos os seus amigos com um abraço, eu continuei distante, voce me cumprimentou e retornou para perto de seus amigos. Estavam todos em uma conversa animada sobre sua mudança, ao que uma de suas amigas lhe pergunta

- Quantos amores vai deixar pra trás?

- Muitos, meus amigos, minha familia, minha casa - Voce respondeu.

- Mas e o coração, já sabe a quem amar, quem escolheu? Como vai fazer com a saudade? - Continuou sua amiga

- Esse amor eu ja escolhi há muito tempo - Voce disse isso, veio até mim, me abraçou e me deu um beijo gostoso.

Ai, que tristeza foi te deixar partir, que dolorido foi ouvir isso de sua boca em sonhos e deixar voce ir embora, com malas e uma vida toda sobre seus ombros, indo pra longe sem esperança de um dia retornar. Foi o abraço em sonhos mais acolhedor que ja recebi de voce. E eu te deixei partir de novo, deixei voce escapar outra vez da minha vida. Talvez eu preciso me convencer de que voce nasceu pra ser solto, nada te prende, eu não lhe prendo. Eu acordei, como sempre atordoada, procurando por voce, mas hoje, somente em sonhos te encontro. E assim eu permaneço, aguardando o dia da coragem, o dia que finalmente vou conseguir enquadrar voce e lhe dizer tudo o que sinto e o que se passa na minha cabeça.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Que Nos Conecta



Não existem lugares em comum, não existem amizades mutuas, os interesses são parecidos, mas nada, definitivamente nada existe que ainda possa nos manter em ligação. Eu não acredito que passo por isso sozinha. Eu não sinto só; a conexão e minha vontade são muito fortes para eu acreditar que o mesmo não se passa do outro lado. Tem que haver alguma coisa, que seja, invisivel aos olhos ou não, mas que paira sobre nossos corpos, mentes e corações e nos faça sentir isso. Se é que voce sente também.

De épocas em épocas decido deixar tudo de lado, abandonar o que penso e o que sinto e começo a tocar minha vida muito bem, diga-se de passagem. Finjo esquecer tudo e desejo nunca sonhar, e não sonho mais. Sinto menos vontade e procuro menos por novidades. Mantenho o padrao desinteressada por algumas semanas, pouco mais que um mes, mas nada além disso. De repente, uma manhã qualquer eu me levanto arrancada dos sonhos... E sempre quando eu sonho, voce está lá. Dessa vez era comigo.

Qualquer hora te pergunto se com voce tambem é assim, se desconecta por um tempo e de repente volta com tudo, com todo amor e vontade. Quero saber o que voce sente, como sente, quando sente. Qual é a força que esta conexão tem pra voce, o peso que voce leva e os sonhos que te dispertam. Quero saber se pra voce é real, se é palpável tanto quanto a mim. Eu quero ouvir da sua boca que isso não acontece só comigo, e que pra sempre voce tambem vai sentir, tão forte, tão intenso, tão conexo quanto eu.

E no final das contas, o que eu qro realmente saber é o que há de tão forte nesse campo magnético, que existe há anos, que não vemos há anos, mas que sinto como se fosse ontem que tudo aconteceu pela primeira vez. Quero saber daonde vem isso que sinto, que é igual quando olhei nos seus olhos o dia em que nos conhecemos. Essa conexão forte, que arrasta minha alma e me faz querer chegar em voce. Conta pra mim se isso é real, e me diz, voce sente essa carga grande que vem desta conexão?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vai Viver



Inventaram uma droga que apaga a memória. Faz esquecer completamente certos tipos de lembrança como se nunca houvesse vivido. A droga milagrosa, faz apagar coisas boas e coisas ruim, faz voce "desviver" tudo aquilo que passou. Deve ser essa a solução da humanidade: apaga tudo, começa agora tudo de novo. Me interessei profundamente por esta droga, talvez esta seja a minha salvação definitiva, o ultimo tiro no escuro pra tentar te esquecer. Será que é possivel? Será que descobriram a minha cura? Essa tortura de pensar em voce, querer saber de voce, querer ter voce, isso vai chegar ao fim um dia, e será em breve.

Converso com homens e pergunto a opinião alheia. O que leva uma mulher a procurar por alguem que não ve ha anos, além da saudade. A resposta vem com outra pergunta: Por que afastou se queria perto? Não é tão simples assim de responder. Queria perto eternamente, não fosse pela falta de maturidade e falta de paciencia dos dois. Não queria afastar nunca, não fosse a falta de coragem.Estes homens insistem em dizer "Burra!", mas... Por que raios o coração grita mais alto? Se foi embora, deixa ir e não volta atras. Pela lógica esta seria a opção sensata e correta, mas quando se houve o coração, é dificil de mais segurar o que quer.

Vai viver e esquece. Vai viver e finge que nunca existiu. Duro ouvir isso quando na verdade se quer fazer outra coisa, duro quando não dá pra esquecer como era tudo muito bom. "Pra que DIABOS ligar depois de trezentos anos? Pra que quer saber como vão as coisas? Por que não esquece e simplesmente desaparece?" Perguntas básicas e simples que permanecem sem respostas, pelo menos, sem respostas que podem ser ditas em qualquer momento, para qualquer um. Podem se passar mil anos, eu sempre vou ter aquele sorriso gostoso guardado no coração, com um abraço apertado e todas as lembranças mais gostosas. Sempre haverá a vontade de reviver aquilo, não um revival, mas um pra sempre cabe bem ao sentimento.

Enquanto o tempo passa e a saudade aperta, a vontade cresce como raiz em calçada, vai destruindo e sufocando, mas vai saindo. Enquanto isso eu espero, continuo esperando com toda a paciencia e apatia necessaria para sobreviver na minha atual situação. Enquanto a droga não vem e não a encontro, eu aguardo ansiosamente. Quem sabe um dia terei em mãos o poder de enfim te apagar da minha mente, esquecer que voce existiu, esquecer como era bom. E eu me pergunto hoje já, se o dia em que eu tiver essa droga, poderosa o suficiente para te eliminar da minha vida, vai ser a solução dos meus problemas, ou se minhas pernas vão tremer e vou fraquejar, pois ter voce, ao menos na lembrança, me faz viver ao menos interiormente tudo aquilo que foi bom.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Outono


É estranha a sensação de que mesmo estando com outra pessoa, ainda penso em voce. É estranho gostar de alguem e ainda assim, continuar gostando muito de voce. Tem dias que eu sinto que preciso falar com voce, saber como voce está, saber suas novidades; mesmo que isso não me importe e que não afete diretamente os meus dias. Dá vontade ainda de saber mesmo tudo sobre voce e sua rotina. Bate uma saudade dolorida, e por mais que eu queira não há nada que eu possa fazer para sufocá-la. Resta a mim esquecer, desistir disso e protelar uma conversa para, quem sabe, no proximo mes. Resta a mim abafar de novo essa vontade de saber de voce.

O pior de tudo é não ter o poder de saber o que se passa do outro lado. Será que voce tambem sente a minha falta? Será que tambem quer saber como estou, o que estou fazendo? Será que voce imagina o que eu imagino sobre voce? Acho que não. Do pouco que sei, essa sua vida corrida, cheia de coisas e afazeres não lhe permite andar com a mente vazia, maquinando o que pode estar acontecendo. Ainda mais, voce não deve ter tempo e nem vontade de pensar em mim. Hoje acho que sou um assunto morto pra voce, desde que me revelei como "quase casada". Enfim, acho que eu não te interesso há muito tempo, o que é uma pena, pois eu nunca deixei de me interessar por voce.

E de novo eu caio no assunto sobre o seu sorriso. Incrivel como uma imagem simples me faz falta! E voce nem imagina a falta imensa que me faz, ver aquele sorrisão acompanhado de gostosas gargalhadas. Ai, Ai... Quanta falta voce me faz, menino. Quisera eu ser corajosa pra jogar isso na sua cara, só pra ver no que vai dar. Mas eu sei la nofundo que no final das contas não daria em nada mesmo, eu acho que não suportaria ser ignorada. Não que eu ja não seja, mas ter certeza as vezes machuca mais, e eu não quero me machucar mais por voce. Bastam esses dez anos esperando sentada, eu espero mais quinze se for o caso, mas encarar seu desprezo de frente faz arder, e dói.

Sei que um dia eu te encontro, pra falar francamente. Claro, enquanto isso vou montando minha armadura de aço pra me machucar menos caso voce me acerte com seu desprezo, mas acho que o dia está cada vez mais próximo. Vou te dizer que vou me casar, que vou ser feliz lá longe e que nunca mais teremos nenhuma chance nessa vida, ou pelo menos por enquanto. Vou te dizer que sua falta de pulso me deixou fugir acuada, e que pra sempre o seu sorriso vai deixar um espaço vazio no meu coração, espaço que nada nem ninguem vai preencher.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ao Dormir


Durante o dia eu tento ocupar a minha cabeça com tudo o que posso. Penso em trabalho, clientes, soluções, dinheiro, deixo a minha agenda recheada de tarefas e pendencias para passar um dia corrido com a cabeça cheia de coisas para resolver. Mente vazia é oficina do Diabo. Eu que o diga. Talvez de Muso eu passe a te chamar de Diabo. Até que o nome lhe cai bem.

Finais de semana prolongados se tornam dias de tortura, já que não tenho as preocupações corriqueiras do escritório para resolver. fico em casa, descansando e pensando, armando milhares de coisas na minha cabeça para tentar uma aproximação. Fico bolando tudo em vão; sei que nada, nunca vai acontecer. É tudo uma ilusão barata.

E mesmo assim, não deixo de procurar o que fazer. Busco encher minha cabeça com os afazeres de casa. Passo o dia revirando o quarto, arrumando, e encontrando lembranças de uma época em que tudo poderia ter acontecido. Fecho o baú e retorno à organização: lavar roupa suja, cozinhar, organizar minha prateleira de cremes. Vou empurrando o dia, para de alguma forma, manter a cabeça ocupada.

O problema maior vem a noite. Quando fecho os olhos e mergulho nos meus sonhos. Ali encontro voce, do mesmo jeito, o Muso intocado de anos atrás, com os mesmos modos, só que hoje é mais frio, mais distante, menos perto de mim. Eu vejo voce nos meus sonhos, maldita hora de dormir. E voce sempre foge, sempre vai fugir, vai embora sem falar nada, e quando fala, joga toneladas de culpa nas minhas costas.

Um dia eu ainda vou encontrar uma maneira de não sonhar mais com voce, Muso. Eu vou me livrar dessa sua perseguição noturna. Vou dormir e acordar sem lembrar da sua existencia e isso vai ser bom. Um dia, eu ainda vou te dizer tudo o que aconteceu, e voce vai ter que me escutar e engolir, que eu também quis. E voce vai saber que a culpa não é só minha. E enfim, quando isto acontecer, neste dia, eu vou poder me deitar e dormir em paz.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

De Próprio Punho

 

Ja fazem 4 anos que eu tento falar com voce, marcar algo pra poder enfim desabar e desmoronar em cima de voce tudo isso que guardo comigo há muito tempo. Eu busco por voce, deixo e mando todas as diretas e indiretas possíveis; sei que voce não é burro e entende muito bem meus recados. No ponto em que as coisas se encontram vejo que esta situação dificilmente mudará, e quando digo dificilmente tento ser otimista, pois realista que eu sou, minha certeza hoje é de que nunca mais haverá um momento certo para desabafos, verdades e honestidades.

Foi um erro seu ter segurado o que queria dizer na época em que era notável o que sentia, hoje vejo claramente que a culpa não foi minha de não ter chacoalhado voce para ouvir em todos os tons o que de fato voce desejava. Voce teve abertura, só não soube como entrar. Foi um erro meu ter guardado o que sinto dentro do peito, abafado o sentimento sem conseguir sufocar e extinguir. Não fiz isso por medo de nada do que poderia acontecer. Eu não podia deixar ir a diante uma situação que eu tenho certeza que acabaria em dor e sofrimento naquela época - Eu me conheço.

Verdade seja dita: Lá no começo isso não funcionaria, e eu não queria estardalhaços e estilhaços; nem meus, muito menos os seus. Eu nunca tive certeza de onde voce queria chegar, e se hoje, por não termos chegado juntos em lugar nenhum levo horas de terapias, imagine o que seria se eu me sentisse culpada em te ferir podando, prendendo e sufocando. Eu era assim. Eu digo que te amo por sua liberdade, pois voce me encanta quando voa e chega aos céus, é livre e cheio de vida. Eu te amo por tamanho encantamento que me desperta.

Fato é que hoje eu entendo que quando te convido para um chopp, um suco, uma volta ou seja o que for, tenho que me conformar com um "Vamos marcar alguma coisa qualquer dia desses" e traduzir isto ipsis literis que na verdade significa um "Não" de forma amena, mas não menos cruel. Afinal, em todos os convites que te faço, eu deixo bem claro, declarado o quanto gosto de voce, e o quanto sinto sua falta. Minhas declarações chegam até a serem ridículas, são simples e podem ser feitas a qualquer um, por qualquer um, mas ao menos as que eu te faço são sinceras e verdadeiras, são de coração.

Levando em consideração que o "nunca mais" é a nossa maior probabilidade, que as chances são nulas de eu lhe encontrar para dizer o que sinto e de ouvir da sua boca que um dia houve reciprocidade em sentimentos, declaro aqui de próprio punho , em breve resumo, aquilo que eu gostaria de dizer à voce. Fica sendo esta a minha ultima tentativa de lhe dizer o seu significado em minha vida, e fica também a lamentação de não poder lher dizer isto olhando nos seus olhos.

Aqui eu não lhe faço questionamento algum, não existem perguntas, tão pouco qualquer tipo de cobrança. Desta forma já fico ciente que não haverá qualquer tipo de contato por sua parte sobre este assunto, sobre o que penso e sinto. E também, acredito que isto não seja necessario, 10 anos é muito tempo, é muita agua que passou. Cada um seguiu seu caminho e aparentemente estamos felizes assim. Me desculpe pela sinceridade nestas linhas que lhe escrevo, e caso isto não seja de seu interesse, somente ignore. Tudo ainda está no mesmo lugar, e tudo permanecerá intacto, da forma como está hoje. A diferença é que agora, voce já sabe o que eu sempre senti.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Eu gosto de voce do meu coração


 A vida virtual é uma tragédia, a vida cotidiana então, nem se fala. Pode me chamar de Drama Queen, atriz global, exagerada, o que for. Eu sou mesmo. E minha mente voa como barata, não tem planos de vôo, saí de cima abaixo desgovernada e não tem destino certo de onde pode parar. Uma frase escrita aleatóriamente no MSN desencadeia um turbilhão de pensamentos bipolares. Explico: pensamentos bipolares são aqueles que acham algo maravilho, mas alguns segundos depois levantam medo, ódio, ciúme e angustia; e de repente, volta o pensamento de ilusão "é pra mim".

A pior merda que pode acontecer em não manter um contato face-to-face é essa, de não saber o que é, pra quem é, a quem se refere. E a curiosidade estrondosa que mexe das pontas do cabelo até o dedinho do pé abalam tudo, inclusive as minhas noites de sono, daquelas extremamente conturbadas. A comunicação esporádica e a timidez ao entrar em contato são fatores relevantes, tendo em viste que, se houvesse o minimo de coragem e cara de pau de minha parte, a maneira de encarar os fatos seria muito mais suave e menos dolorida.

As coisas pioram intensamente quando numa noite de sonhos, o Muso reage. Em tal noite ele reagiu, fui atrás, vi a cena do cinema na minha frente, aquela curiosidade, aquele gingado, e no meu sonho era ele. Só no sonho, ele me olhou, reconheceu, veio até mim e eu ouvi daquela boca "eu gosto muito de voce". Houve o beijo que eu sonho há 5 anos que se repita, houve o beijo que há muito tempo eu tento ganhar ao menos em sonhos, e houve a declaração, que hoje em realidade anseio a cada dia poder ouvir.

E quando eu acordo, o sonho é lembrança e a noite perfeita acabou. E eu acordo aflita, angustiada sem motivo aparente. Somente a sensação de que há algo diferente acontecendo, não sei se algo bom ou ruim, mas de fato diferente. Maldito seja o criador do MSN e qualquer outra rede social. Ao acordar aflita naquele dia, sentia urgencia em procurá-lo, de saber qual era a novidade e o que estava acontecendo. Não o chamei, apenas vi sua frase em outra lingua "Eu gosto de voce do meu coração", em tradução livre.

Eu acordei para saber se ele ja tinha alguem, eu acordei com toda a vontade do mundo de perguntar, mas ao me deparar com aquela frase, a cabeça rodopiou, as pernas tremeram e fraquejaram, e eu tive medo de saber a verdade. Do mesmo modo como ocorreu no cinema, a verdade naquele dia doeu, e hoje eu tenho medo imenso de saber, conhecer a vida dele. Falta coragem para encarar a verdade. E após o sonho todo daquela noite, após ouvir em sonho e ver a mesma coisa quando acordo, bate aquela angustia que talvez um dia tenha fim: Quando pode aflorar a verdade?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Escrevi e Não Mandei - Pt. II


Foi assim - Do começo de quase uma década
Eu era ainda uma menina, 13 aninhos na época. Naqueles passeios anuais ao Playcenter promovidos pela escola, com muito custo minha mãe me deixou ir. Lá conheci a amiga de uma amiga da amiga... Enfim! Ficamos amigas! Morávamos perto uma da outra, rolavam aquelas conversinhas casuais de meninas, até surgir o tema "meninos". Eu sempre gostei de garotos branquelos, cabeludos, esquisitos; então esta garota resolveu que eu tinha que conhecer um amigo dela, eu iria adorar. Pronto, meu pé atrás, mas vamos lá. O garoto freqüentava a Gibiteca todos os sábados para jogar RPG. Sábado marcado, lá vamos nós.
Até aí, tudo bem. Eu não fazia a mínima idéia do que era RPG, e nunca soube da existência de uma Gibiteca próxima a minha casa até então. Encontro marcado, as duas presentes, vamos lá - hora de descobrir o que é que acontece. Cheguei ao local, vi um bando de doidos, com roupas pretas, sobretudos e alguns menos esquisitos, correndo pra lá e pra cá, havia também algumas mesas espalhadas, com grupinhos com livros folhas e dados... Eu realmente não sabia o que estava acontecendo. Com aquele corre-corre, aparece o tal amigo. Gente boa, simpático, mas nada que me agradasse; confesso que o que me atraiu ali foi o ambiente, as pessoas diferentes, o bando de doidos. Fui deixando me levar, até que virei mais uma no bando de doidos - freqüentadora assídua.
Não sei como e nem quando, mas lembro que foi ali naquele lugar cheio de gente diferente que eu vi você. A partir de certo momento, eu só via você. Lembro perfeitamente de um dia em que estávamos jogando numa mesa com umas doze pessoas, o seu amigo cabeludo estava mestrando e em uma rodada, o grupo entrou numa caverna, um bicho apareceu, uma parte saiu da caverna, alguns atacaram, outros foram paralisados (inclusive você) e na minha rodada eu tinha q tirar um 6 no dado pra te desencantar. Dado lançado, saiu 6, te salvei. Como naquele tempo todo mundo já sabia da quedinha um pelo outro, houve uma cutucação, uma euforia, um clima de "agora vai"... Mas não foi. Ficou só ali mesmo. Emocionante.
O tempo foi passando e aquele lugar virou segundo plano. Não que eu não gostasse mais de jogar , muito pelo contrario, eu adorava, mas eu preferia muito mais ir ali pra ver o menino dos olhinhos pequenos, que fazia curso de japonês e que tinha o sorriso mais bonito do mundo. Só eu sei o que acontecia comigo quando eu via você por perto... Na verdade, nem sei o que acontecia, mas sim, eu sentia as fabulosas borboletas no estomago. Era impossível segurar o sorriso, e eu sabia, mesmo sem me olhar no espelho, que quando te via a minha expressão mudava. Ali eu aprendi que a gente só consegue esconder o que é tátil. O que vem de dentro da gente, é impossível de controlar.
Em um desses muitos sábados, o pessoal resolveu juntar os trocados e ir ao Playland, no shopping. Saímos de lá e fomos em um bando de adolecentes, daqueles que hoje em dia quando eu vejo na rua, dá até medo.  Aquele monte de meninos, eu e a amiga de meninas. Chegando ao Paço, todo mundo resolveu atravessar a avenida pela passarela - minha tortura. Eu sempre tive medo de altura; não gosto de pontes, viadutos, passarelas... Nada que seja suspenso. Então, como sempre ao meu lado, surgiu você, me puxou pra baixo do seu braço e falou "Vem aqui que não vou te deixar cair. É só não olhar pra baixo... Já tá acabando!". Nada melhor poderia ter acontecido, naquele friozinho, aquela passarela cheia de vãos, só mesmo você pra tentar acalmar uma medrosa com aquele sorriso lindo. Foi a única vez que gostei de atravessar uma passarela.

sábado, 6 de novembro de 2010

Desabafo Direto

"Pode ser numa canção, pode ser no coração, eu só quero ter você por perto. Eu só quero ter você por perto" (Por Perto - Pato Fu)

Ontem antes de dormir eu comecei a pensar sobre a minha vida, de onde vim, o que eu sempre quis, onde estou agora. Comecei a pensar onde foi que eu me perdi, o que fiz de errado pra estar com tudo de ponta cabeça. Todas as coisas estão no lugar, tenho um bom emprego, ganho mais do que muitos pais de familia, tenho uma certa independencia, mas nada disso me faz de fato ser completamente independente. Não me sinto liberta nas minhas escolhas, não sinto motivo para me alegrar, não sou definitivamente mais a mesma pessoa ha muito tempo. Tempo o suficiente para eu perceber hoje, que definitivamente, eu me perdi em meus proprios caminhos.

Fiquei pensando sobre a minha vida durante boa parte da noite. Quis descobrir o motivo pelo qual eu não saio mais de casa, não cuido mais de mim. Eu era uma menina linda, eu era feliz comigo, eu tinha um corpo belo, esbelto, eu tinha graça nos meus movimentos e meu sorriso sempre estava estampado no meu rosto. Meu genio forte, meu nervosismo, minha teimosia continuam os mesmos, mas hoje é pior, pois eu não tenho mais toda aquela vontade de viver que antes me preenchia. Hoje, aquele brilho que eu tinha nos olhos, aquela ambição por sucesso e realização de vida foi tomado, não sei quando, pela vontade de ter dinheiro o suficiente pra me sustentar e continuar empurrando a vida, e não vivendo.

Hoje, a moça que faz faxina na minha casa, pela primeira vez conversou comigo sobre o que ela sentia, o por que de vir trabalhar na minha casa. Ela não é uma simples mulher que sempre fez faxina a vida inteira. Ela teve uma profissão boa, passou por momentos dificeis e agora está retomando a vida. Hoje ela me disse que Deus falou pra ela vir trabalhar aqui, na minha casa. Eu acredito, pois quando desejei uma faxineira, queria alguem exatamente com o perfil que ela tem, e eu acredito piamente que isto não foi uma coincidencia. Não foi só obra do acaso. Eu sinto que realmente Deus preparou esta situação, por mais que eu não seja uma pessoa religiosa, eu acredito sim no poder do mundo espiritual sobre o mundo material.

Ao conversar com esta mulher, ela olhou pra mim e disse que Deus lhe falou para eu buscar por aquilo que eu havia deixado, para eu voltar atrás. Na hora, a primeira coisa que me ocorreu foi voce. Voce é o unico motivo que eu sinto uma vontade forte de voltar atrás, de arrumar, reparar, consertar toda a situação. O amor que eu sinto por voce é tão imenso, a vontade de ter voce por perto dói tanto, que eu não tenho motivos para pensar em outra retomada que não seja a relação que nós tinhamos antigamente. E ao pensar em dar o primeiro passo em direção a uma parede de concreto a 200km/h, eu tremo, e não consigo, pois o medo é grande. Eu não suportaria jogar tudo pra cima e perder o pouco que tenho hoje.

Pra ter voce em minha vida, eu preciso abrir mão do meu trabalho, eu preciso abrir mão de um relacionamento que ja foi bom um dia, mas hoje se mostra cada vez mais longe de ser algo duradouro e certo, eu preciso me livrar deste corpo que não me pertence, que eu não aceito e que eu comecei a destruir no momento em que eu perdi o rumo e o leme, tenho que colocar a alma em ordem, procurar um modo de acalmar meu espírito pra poder de fato te entregar numa bandeja fina todo o meu amor que voce tem e merece. Antes de qualquer coisa, eu preciso me realinhar, que é pra não entregar pra voce tudo bagunçado de novo, e também pra não te machucar nunca mais. Eu quero seu bem acima de tudo, eu quero voce.

Eu te prometo, do fundo do meu coração que eu vou me preparar. Eu vou colocar cada coisa em seu devido lugar, cada coisa no seu devido tempo e espaço, que é pra poder te receber de braços e coração abertos e te aconchegar com todo o amor que eu tenho por voce nessa vida. Vou me preparar também para receber sua negativa, caso voce não me queira, caso não tenha interesse desse meu amor pra voce. Eu vou encontrar uma forma antecipada de aceitar que hoje voce pode não estar com o seu coração aberto para aceitar o que eu tenho pra te dar. E aí, nossa história fica por conta do tempo, mais uma vez. E eu espero do fundo do meu coração que nossos caminhos não levem mais dez anos para se cruzar de novo. Eu quero que tudo fique bem.

E por hoje, o que tenho pra lhe dizer é isso. Voce sabe, eu te amo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O que Mudou



Algumas vezes eu consigo deixar de pensar no Muso, por alguns instantes. Lembro e o busco todos os dias, mas só pra sentir mais perto, só pra saber que de fato ele está ali. O problema real acontece quando aparece a sua imagem. Eu simplesmente não consigo resistir àquele sorriso. Me bate uma angustia que corrói de dentro pra fora, queima mesmo. Dá vontade de correr atrás daquele sorriso, só pra saber como é que ele está, se continua o mesmo.

Malditas redes sociais que disponibiizam num clic a vida das pessoas. Maldita curiosidade minha, que não permite que eu me afaste, que faz eu abrir as paginas e ver suas fotos, ver aquele sorriso estampado imóvel, maldita curiosidade, que me faz lembrar eternamente que eu escolhi não estar alí ao lado dele, contemplando seu sorriso durante todo esse tempo que tem passado rapido, voando. E eu vejo as fotos e imagino o quanto ele deve estar mudado. Quanto será que mudou?

De pensar nas mudanças, eu me arrepio. Elas existem e estão ali desencarnadas naquele corpo divino. Coragem seria chegar perto e tocar, e descobrir cada mudança que aconteceu. Aquela cabeça maluca é a mesma, mas é outra. Os olhos dele hoje enxergam de maneira diferente, com outra visão; os olhos dele não me enxergam já há tempos. Queria eu entrar com tudo e mudar tudo de novo, mas todos sabem que o que me falta é coragem mesmo. Vou fazer o que com aquilo tudo?

Ouvi uma das minhas frases favoritas em Matrix, não me lembro em qual filme da trilogia. Morpheu diz para Niobe "Some things change, some things never change". O que não muda? Eu queria perguntar à ele, o que é que desde sempre permanece intacto, inviolado, como sempre foi? Eu me arrisco com alguns palpites... Mas seria de extrema pretensão descrever aqui. Além do sorriso, o que eu creio que não muda, eu guardo dentro de mim. É o perfil que eu melhor conheço dele.

Faço uma prece inconciente todos os dias: Que ele não entregue tudo que é dele para outra, pois eu ainda sinto que pode ser meu. Não sei como, mas eu quero ouvir. Eu quero ter certeza que pelo menos uma parte é minha e sempre foi. Quero declaração assinada e registrada em cartório para deixar ao lado da minha cabeceira e olhar todas as noites antes de dormir, e lembrar e sonhar que isso não mudou, essa é a parte que me cabe e que ninguém vai poder ocupar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Omissão

"I know some day you'll have a beatiful life. I know you'll be the Sun in somebody else sky, but why can't be mine?" (Pearl Jam - Black)

Sozinha em casa, quase duas horas da manhã. E tudo o que se passa na minha cabeça é ele. A saudade que eu sinto do sorriso, que eu guardo com carinho, com todo o amor que eu joguei pra cima naquela época... Fica agora tudo na lembrança. Fica a vontade de viver aquilo mais uma vez, fica o som da voz, rodando na minha cabeça, o som daquela gargalhada, o momento de toda a diversão. Vivo a tortura, de me prender no passado, fico pensando se um dia vou ter outra chance, e se serei corajosa o suficiente pra fazer valer a pena.

Acordar todos os dias é um martírio, tentar viver como uma heroína por não chamá-lo, por não procurá-lo. Isso me faz pensar que sou forte, mas na verdade, sou fraca, fraca o suficiente pra não me deixar guiar por o que eu realmente sinto, por me enganar, dia após dia, lutando contra tudo o que eu mais quero. É uma batalha ardilosa, resistir pela busca daquele sorriso, fugir, mesmo que eu já não tenha mais, aqueles braços ao redor da minha cintura. Eu sei bem como é dificil lembrar todos os dias que tudo dependeu da minha decisão, bastava a mim escolher se eu queria ser feliz, bastava a mim saber se deveria me arriscar.

Hoje, eu saio por aí, com os pensamentos me torutrando, afinal, quem poderá contar a historia do que poderia ter sido? Seria essa a historia perfeita? Só eu sei o quanto me dói, qual o peso eu posso levar pelo resto da vida por conta de uma decisão que hoje - não só hoje, mas ha muito tempo - julgo mal tomada. É dificil viver imaginando como será esse sentimento daqui uns 5, 10, 15 anos. Como será minha frustração ao descobrir que ele finalmente encontrou alguem para se deitar todas as noites, para dividir os momentos de alegria e tristeza... Hoje eu não sei como vou reagir. O frio na barriga vai persistir até este dia chegar, e é irremediavel, uma hora, isto vai acontecer.

E eu insisto em não pensar em me preocupar com este dia, o dia em que, definitivamente, o coração dele estará ocupado por outra pessoa, o dia em que seus pensamentos serão tomados pela preocupação em cuidar e zelar por aquela que o fará companhia. talvez ainda me reste alguma esperança de que eu possa ser esta a qual reinará eternamente em seus pensamentos. Minha pretensão é imensa, minha vontade não me deixa mentir. E eu espero que um dia eu mude, me transforme em uma nova pessoa, com mais coragem para determinar minha vida, sem medo dos fantasmas que possam vir me assombrar, sem medos dos julgamentos que enfrentarei.

Um dia, serei grande o bastante para gritar o quanto o amei, o quanto me encanta, e o quanto o quero comigo. Mas me falta a coragem de crescer, de viver com mais frustrações, de ouvir um "não", daquela boca que um dia me falou que eu era aquela que ele queria. Eu tenho medo de olhar nos olhos daquele que um dia eu desprezei, tenho medo de mostrar o que realmente sinto, e receber em troca tudo aquilo que eu dei, ou melhor, aquilo que deixei de dar, o amor que eu tinha preso na alma, o amor que sinto até hoje, e por medo do que poderia ser desse amor, me neguei a entregá-lo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bom Humor


É dificil me fazer sorrir. Vivo ouvindo dos outros que sou uma pessoa amarga, sem senso de humor, de mal com a vida. Pouco me importa o que os outros falam, eu me sinto bem assim, pra que raios eu devo mudar? Algumas pessoas vivem mais e melhor distribuindo sorrisos e gentilezas aos alheios, e eu me pergunto se isso realmente faz bem. Acho que não, simpatias de mais geram desconfortos, desconfortos geram conflitos, e conflitos, as vezes, geram guerras intensas. Me deixa quietinha, por favor.

E é nesse mal humor que me cabe perfeitamente que eu percebo que só ele, com poucas palavras, consegue fazer aparecer um sorriso com todos os dentes a mostra na minha boca. Isso qualquer um percebe, podem até não imaginar porque, mas vêem na minha cara que algo de muito bom aconteceu. Se uma simples frase, proferida pela boca que tem o sorriso mais lindo do mundo, é capaz de me derreter,imagino hoje o que um beijo faria.

Eu volto a imaginar que ele sabe justamente o que eu quero. Eu retomo meus delirios loucos de que ele sabe bem o que se passa na minha cabeça, mas eu não tenho certeza. Eu não sei o que se passa na cabeça dele. Seria engraçado descobrir, vai que a gente pensa a mesma coisa, e agimos do mesmo jeito por pura simbiose. Seria estupendo saber que tudo é recíproco, que sempre foi. Mas eu volto com os pés no chão e paro de imaginar tanto. É melhor não alimentar muito as ilusões.

Se ele soubesse que suas poucas palavras irreverentes e desalinhadas dissipam as nuvens do meu dia, com certeza seu ego inflaria de tal forma, que deixaria tudo a sua volta abafado, cheio de si. É assim que eu me sinto quando ele fala comigo. O mau humor some, e por mais que eu tente ficar com a cara fechada, o sorriso de Monalisa permanece intacto na minha cara. E não adianta eu brigar comigo mesma, o que sinto quabdo ele se pronuncia é muito mais forte do que qualquer mal humor matinal.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Indiferença


A gente se trata assim: eu finjo que não te vejo, voce finge que não me ve. E vamos seguindo como se não nos conhecessemos há, pelo menos, uns 10 anos. As vezes, raras por assim dizer, falamos sobre amenidades, falamos sobre o trabalho, e como vai a pós, os cursos... e o coração. Mesmo sendo cheio de novidades, evito me aprofundar, pois o corte é seco. Monossilabas voam pra todos os lados, o desinteresse é visivel, a qualquer um.

Dessa maneira eu vou contando os meses. "Mes que vem eu o chamo, e pergunto como tudo está." e vou protelando... protelando até o dia que voce me chama. De forma curta, simpática, e desleixada. Parece até que não quer nada, mas sabe bem que eu quero. trocamos amenidades, marcamos um chopp e um papo que nunca acontecem, e eu sonho com o dia em que acontecerão. Essa deve ser sua forma de ter contato, ter mais perto. A minha, é a distancia. Mal sabe o medo que me causa.

E nos poucos momentos do ano que voce me chama, eu sinto coragem pra te convidar. Fica sempre o convite, a porta aberta, escancarada. A porta que eu "bati" na sua cara ha 5 anos atras. Foi de propósito, mas não foi pra te menosprezar, ao fazer isso eu me machuquei muito mais que voce. E desde então, ela está aí, a indiferença... Fria, dura, arrogante. Tem um muro de gelo entre os nossos caminhos, mesmo quando eles se cruzam. Eu lembro de ver nos seus olhos a interrogação, voce não entendeu nada...

Desde então eu estou aqui, fingindo indiferença, tentando não me importar com a sua indiferença, que eu nem ao menos sei se é real, ou se voce também finge. Enquanto eu vou perdendo meu tempo, me controlando para não me aproximar, procuro ocupar minha cabeça, trabalhando, ganhando dinheiro, gastando com qualquer coisa, coisas que fazem me distrair e lembrar que a imagem permanece intacta. O ar blasé não pode nunca mudar, o coração tem que aguentar calado, indiferente.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Escrevi e Não Mandei - Pt. I



Vida Fértil - É Fazendo Merda que se Aduba a Vida

O que fiz, do inicio disto que você tem em mãos até a última palavra escrita, pode ser considerada uma das maiores merdas que já fiz em minha vida até hoje, porém, é fazendo merda que se aduba a vida. Agora já está feito e eu tenho plena certeza de que alguma lição eu vou tirar daqui. Não sei se o que vai crescer neste solo é algo que alimente, ou se serão apenas flores. Independente do que seja o adubo está aí, e o que crescer será bem vindo.

Esta narração pode ser longa e cansativa, desgastante, mas também pode ser uma história de cabeceira que você vai ler trechos todas as noites antes de dormir. O estilo romântico marca bem as passagens, tudo meio confuso, um pouco fora de tempo, afinal é muito difícil colocar uma linha do tempo em quase dez anos que ainda estão soltos, meio perdidos por aí. Tudo está sob o meu ponto de vista, é bem possível que você discorde de muitas coisas, ou não.
Eu sempre quis falar o que eu penso, sempre quis que você soubesse tudo o que se passava na minha cabeça, mas é muito difícil falar o que a gente quer pra quem a gente gosta. Ninguém sabe qual é a reação do interlocutor, por mais que as reações físicas, as linguagens corporais se mostrem positivas ou negativas, é impossível saber o que se passa no coração e na mente daqueles que te ouvem. É péssimo viver calado, contando tudo a qualquer um, menos a quem deve saber.
Durante todo este tempo que passou cometi milhares de erros - assim como você, assim como qualquer outra pessoa neste mundo - e com eles eu aprendi a procurar a maneira certa de fazer as coisas. Com os erros que sucederam, eu olho para a minha terra e vejo frutos bons, tanto doces quanto amargos que me mantém erguida, e também vejo flores que só ilustram a paisagem, nada mais. Quero ver o que brotará daqui.

Desejo que você receba esta historia com o coração aberto, livre de qualquer julgamento, livre de mágoas ou até mesmo alegria. O único propósito de fazer isto chegar a suas mãos é encontrar a continuação de tudo isso, afinal, o principal motivo de tudo descrito nas próximas páginas é você. Só peço para que leia, e ao final não veja somente como uma historia, mas também como uma pergunta. Como, onde ou quando responder, só depende de você.

Com carinho,

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Muso




Tenho meu muso, o cara perfeito, o padrão de homem ideal desde meus 13... 14 anos. Não é uma questão de principe encantado montado no cavalo branco, longe disso. Meu muso existe, de fato. Ele é sim muito bonito, tem olhos escuros, moreno, não tão alto, bonito e sensual. É, talvez ele fosse a solução dos meus problemas. Ele tem o sorriso mais lindo que eu ja vi na minha vida. Lá no começo ele me rodeava, me cantava, acompanhava, ele me fazia rir e me divertia horrores. Ele era muito perfeito, nem parecia que era de verdade.

Eu o conheci sem querer. Eu jogava um jogo de mesa (não vem ao caso dizer qual), comecei a jogar pra conhecer um amigo de uma amiga, mas nao rolou nada, não fez meu tipo, mas eu gostei do jogo e fiquei la. Um dia despretencioso, ele apareceu. Me chamou a atenção na hora. Eu sei que eu tambem chamei sua atenção, eu era uma das pouquissimas meninas ali naquele ambiente, mas ele veio na minha direção. Houve atração, e foi recíproca. Ele começou a jogar comigo, com meu grupo todos os sabados, era uma forma de estar junto, era um inicio.

Ele era extremamente divertido, bem relacionado, sociável. Não era o tipo comum, tinha interesses diferentes, via a vida de uma perspectiva diferente. Ele nunca parava, era uma novidade atrás da outra. Eu sempre achei que ele fosse meio maluco, inconstante. Eu tinha um medo absurdo da inconstancia que ele carregava. Era muita coisa, muita informação, muitos lugares, muitos planos... Um coração imenso, cabia tudo ali; a cabeça dava voltas no mundo procurando sempre por algo novo. Ele era divertido, sabia se divertir, sabia divertir.

Com o passar do tempo, foi aumentando o frio na barriga, a ansiedade insana pra se encontrar. Eu não aguentava esperar, a semana passava arrastando e enfim chegava o sabado. Enfim eu podia vê-lo, podia conversar, admirar mais uma vez aquele sorriso maravilhoso. Eu só queria aquela boca cada vez mais perto da minha. E ele vinha, me dava o braço e me acompanhava, Segurava minha mão, ambos suando frio, sabiamos o que se passava na cabeça um do outro. Eu queria a mesma coisa que ele, na mesma intensidade. Mas musos devem ser intactos, observados, amados e admirados. Eu não podia prendê-lo.

Passou um tempo, paramos de jogar. Ele aparecia na minha casa, às vezes como quem não quer nada, às vezes como quem sabe exatamente o que quer. Ele sabia me deixar desconcertada de um jeito que ninguem sabia. Eu ligava pra ele, pra ouvir aquele voz com som de novidade, ouvir aquele sorriso gostoso. Eu gostava de escrever sobre ele, mas nunca contei isso. Um dia ele passou na minha casa, voltando do curso de fotografia. Olhou pra mim e pediu pra não me mexer, tirou uma foto e nunca me mostrou.

Eram nas pequenas coisas que ele me encantava. O jeito que ele se movia e conduzia a vida, nas menores coisas, no mais simples sempre foi o que me chamava a atenção. Eu queria ter ele perto pra poder observar, pra continuar me inspirando, incitar minha criatividade; ele nem imaginava minhas intenções. No fim das contas, nem eu sabia ao certo o que eu queria com ele. Eu sei que eu sentia bem mais que amizade, como uma historia que não tem um fim certo e marcado. Mas ele era meu muso, eu o deixava conduzir, e interferia toda vez que estava proximo. Eu não posso nunca perdê-lo de vista.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lado Esquerdo



Não adianta. Tem dias que a gente acorda certo de que não deve sair da cama. Era uma quarta feira, eu não queria levantar de jeito nenhum mas o dever me chamava. Me olhei no espelho: "Afff... que cara péssima", pensei "vou dar um trato no visual". Não, a preguiça e a vontade impar de não sair de casa não me permitiram criar coragem para me arrumar. "Vou bagunçada mesmo. Foda-se."

Dia de cão no escritório. Esqueci meus óculos. Que infernos de letras de computador! Não enxergava nada, a vista cansada, pedindo arrego. O companheiro informa: "Ganhei dois convites para a inauguração do cinema. Filme e Pipoca na faixa". "Por favor, hoje não!!! Eu estou cega, bagunçada, dolorida, com dor de cabeça... Não...". Ele disse que sairiamos cedo, passariamos na minha casa para eu me arrumar e pegar meus óculos. Como sempre, fui burra de acreditar.

Oito horas da noite. Chegamos ao cinema. Tira foto com o Batman, com o Homem Aranha. Meu Deus, meu humor canino queria destroçar toda aquela gente. Um sentimento de lugar errado, hora errada. Eu era um peixe fora d'água ali. hora de escolher o filme; eu Jean Charles, ele Trama Internacional. Ok, ele ganhou. Enquanto ele ia buscar pipoca, eu ia me sentar e aguardar. Mal sabia eu que a noite do terror estava só começando.

Sala gigante, tela gigante, tudo escuro. Vou sentar lá no fundão, longe de todo mundo. Fui lá e sentei. Casalzinho pegando fogo na minha frente e eu lá, fria que nem sorvete. Inveja, ele podia me chacoalhar assim... Não, não podia. Fiquei observando, eu conhecia aquele gingado, aquele jeito de beijar, de se mexer, de envolver... Eu ja estive ali naqueles braços... Não podia ser, eu me contorcia na cadeira para ter certeza, aquilo não podia estar acontecendo.

O filme, o que passava na tela, passava batido. Meus olhos só viam a cena que eu já vivi, minha mente pensava por que raios eu fui escolher aquele lugar, numa sala tão grande, por que eu aceitei ver aquele filme, com tantos outros bons passando? Eu queria ir embora, olhava insistentemente ao relogio, queria fugir enquanto estava tudo escuro sem ninguem notar. Ele não podia me ver ali, naquelas condições. Não era justo isso. Eu queria dormir na duvida, não precisava ter certeza que era ele.

Alguem passou mal. O filme parou, as luzes se acenderam. Ele levantou e observou curiosamente. Era ele, eu conhecia aquela curiosidade, não havia mudado o jeito depois de anos... Foi meu limite, olhei para o companheiro com ar de inquisidora e bramei "vamos embora AGORA.". Fomos, companheiro com cara de cu, eu com cara de cu. Ao sair olhei pro lado, ele me olhou. Virei a cara e fui embora. Tremia, o estomago na garganta, a cabeça girando. Acabou.

No outro dia, ambos sabiamos o que havia acontecido. Ninguem teve coragem de comentar. Melhor deixar assim, só se machuca quem quer. Fica a lição: Não saia da cama se não estiver bem, nem para comer, nem para ir ao banheiro, nem para respirar. Lembrar de morrer aos poucos abafada nas cobertas. Tentar esquecer o que passou e acreditar que um dia vai dar certo.

Sonhos



Não sei se foi a noite inteira, mas da parte que eu lembro, sonhei só com voce. Noite de descanso agitada, conturbada... Eu procurava seu rosto, ouvia sua voz e voce se escondia. Aparecia tímido na minha frente, olhava rapido e sumia, do nada. Eu ia atras de voce em todos os lugares, na estrada, na escola, no curso, na praça... Voce escapava por entre meus dedos.

Minha inquietação e aflição por buscar por voce me deixavam sentindo como se eu fosse nada, um sentimento de pequeno, não de inferior, mas sentia como se eu fosse tão pequena que não poderia ser notada por voce de novo. Eu só queria aparecer, mostrar pra voce que eu estava ali pra tudo. Acho que demorei de mais e hoje, mesmo em sonho, voce nem percebe isso.

A sua voz me persegue, eu escuto voce me chamar nos sonhos. Escuto claramente, sua voz nitida, acompanhada do seu sorriso - o sorriso mais lindo do mundo. E de que adianta? Eu te procuro e voce foge, voce me despista até nos sonhos. E eu não canso. Vou correr atras de voce sempre, até um dia voce conseguir me ver, enxergar que eu to ali pra voce. Um dia, mesmo em sonhos voce vai me ver e me encarar mais uma vez.

Dizem que os sonhos são lembranças e pensamentos sendo organizados. Eu sei que é muito mais que isso. Eu sei que voce tambem ja sonhou comigo e que foi extremamente real. Um dia eu largo Morpheu e corro atras de voce, acordada, bem viva. Um dia terei força e coragem pra fazer o que eu mais quero na vida. Vou poder olhar nos seus olhos, apreciar seu sorriso e dizer o que sinto, mesmo que não mude nada.

Queria Explicar...

 
"You're in my mind all of the time. I know that's not enough. And if the sky can crack there must be some way back to love and only love" (U2 - Electrical Storm)

Realmente, é extremamente dificil apagar da memoria algumas coisas. Sentir o peso de anos e anos jogados pela janela, e voce vendo o vento levando e carregando pra bem longe, pra longe do alcance das mãos, mas continua as vistas, ao alcance dos olhos... E na realidade o que mais queria era que aquilo tudo continuasse perto, mas eu não podia.

Eu não tinha maturidade o suficiente, eu não tinha paciencia e não era livre. Eu não ia saber como viver com aquela liberdade toda. Eu tinha muito medo, era medo de machucar, de prender e aí eu ia perder o que eu achava mais bonito nele, a liberdade. Como eu poderia lidar com isso? Eram dois mundos muito diferentes e paralelos, eu queria estar junto, com ele, mas não podia.

Quem sufoca um amor, mata. Eu nunca quis apagar aquele brilho, desse modo eu viveria no escuro. Mas eu tambem não consegui falar isso, eu não consegui explicar e foi aí que as coisas tomaram esse rumo. A palavra afiada deixa marcas, mas o silencio leva à insanidade. Onde eu estava com a cabeça quando preferi mentir, omitir o que de fato sentia? A quem eu estava tentando enganar?

Se hoje eu tivesse coragem de falar, e acabar de uma vez por todas com isso. Deixar tudo claro, mesmo que o tempo não volte e que absolutamente nada mude, eu diria que tudo aquilo foi pra te afastar de mim, pra não destruir nossos mundos paralelos, que eu queria mais do que tudo que aquilo acontecesse, mas que eu nao poderia me permitir te prender. Seria injusto. Eu não estava preparada.

Um dia eu vou encontrar uma forma de deixar isso claro. Um dia voce vai saber de fato o que aconteceu e eu sei que voce vai me entender. Voce pode não aceitar, mas estou certa de que vai entender. E aí então eu poderei dormir tranquila e sentir paz, talvez eu até deixe de pensar em voce por tanto tempo. Deixarei de pensar na historia que poderia ter sido. Uma coisa é certa, nunca vou te esquecer.